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Permacultura - Da agricultura permanente à sociedade sustentável

Em 1974, após muitos anos de pesquisas e observação da Natureza, os australianos Bill Mollison e David Holmgren desenvolveram uma estrutura de trabalho para um sistema agrícola sustentável, baseado na policultura de árvores perenes, arbustos, ervas, vegetais, fungos e tubérculos. Para esse sistema, deram o nome de Permacultura – originado de Agricultura Permanente.

Ao longo da década de 70, em resposta à crise ambiental mundial que o planeta vem enfrentando, com a destruição desenfreada dos sistemas biológicos, o conceito de Permacultura se ampliou, deixando de ser aplicado somente à agricultura para se aplicar ao desenho de paisagens que imitam os padrões e relações encontrados na natureza em busca da sustentabilidade.

“A Permacultura utiliza as qualidades inerentes das plantas e animais, combinadas com as características naturais dos terrenos e edificações, para produzir um sistema de apoio à vida para a cidade ou a zona rural, utilizando a menor área disponível.”
(Introdução do livro de Bill Mollison e Reny Mia Slay: Introdução à Permacultura, 1991)

Mais recentemente, no livro Permaculture – principles & pathways beyond sustainability (2002), David Holmgren, o co-criador menos conhecido do conceito, fez uma revisão dos princípios permaculturais em busca de um caminho real para a sustentabilidade, numa sociedade que caminha para o esgotamento das fontes energéticas. Ele afirma que a Permacultura não deve se restringir aos conceitos do Curso Padrão de Desenho (conhecido no Brasil como PDC), mas sim procurar se abrir para a diversidade saudável de idéias e alternativas ecológicas, somando com outros movimentos. “Eu vejo a progressiva evolução da permacultura como uma força que influencia a natureza pulsante e variável da mudança social.” (David Holmgren )

Dentro desta perspectiva, atualmente a permacultura é representada por cerca de 450 grupos, associações e organizações trabalhando com seus princípios do design em todo o mundo distribuídos em mais de 120 países em todo o mundo (Avina Permacultura). Estes grupos em muitos casos se organizam em redes, seguindo um dos princípios da permacultura, com o objetivo de trocarem experiências e divulgarem o tema. Em concordância com esta idéia o assunto é discutido de maneira mais ampla através de congressos, como o III Congresso Latino Americano de Permacultura realizado ano passado em Cuba e através de conferencias a exemplo da 8ª edição da Conferência Internacional de Permacultura (IPC8) que ocorreu em 2008 pela primeira vês em nosso país.

No Brasil - O primeiro curso de Permacultura no Brasil aconteceu em 1992, em Porto Alegre (RS), com Bill Mollison e o especialista em semi-árido norte-americano, Scott Pittman. A tradutora do curso foi Marsha Hanzi, formada em Permacultura em 1991, no Havaí (EUA), com Max Lindegger e Lea Harrison, dois professores pioneiros. Ao final do curso, ela ouviu de Bill Mollison um incentivo para continuar a disseminar a permacultura no Brasil: “Agora é com você”, ele me disse, "e eu levei isso a sério, do fundo do coração” - conta Marsha.

Foi então que ela resolveu fundar o Instituto de Permacultura da Bahia, junto com o amigo Didier Bloch, que também havia feito o curso com Bill Mollison. A ata de fundação é de 27 de setembro de 1992. Desde então, milhares de pessoas fizeram o curso de Planejamento, Design e Consultoria (curso padrão de Bill Mollison) no Brasil e outros institutos de Permacultura foram criados.

Graças a projetos pioneiros de larga escala, como o Policultura no Semi-Árido, que está sendo implementado em centenas de pequenas propriedades agrícolas, a Permacultura vem provando sua viabilidade no Brasil e cumprindo seu papel de contribuir para a construção de um mundo interdependente, solidário e integrado com a Natureza.

Um indicativo do crescimento da importância da discussão de temas relacionados à permacultura e agroecologia é a criação, relativamente recente, de cursos de pós-graduação envolvendo essas temáticas nos ambientes acadêmicos de universidades federais. Como exemplo mais antigo temos a Universidade Federal de Santa Catarina e mais recentemente a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Federal de São Carlos.  A entrada desses temas em ambientes acadêmicos nos mostra que a relevância dessas discussões esta aumentando e se valorizando a cada dia dentro de nossa sociedade como um todo.

Instituto de Permacultura da Bahia
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