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Comunidade Campina e IPB celebram após curso

Durante os quase dez dias de imersão no Curso de Permacultura PDC 2016, realizado na Comunidade Campina, Chapada Diamantina, vivenciamos um processo de profundo aprendizado das ciências da terra, das ciências sociais, da natureza e sobre nós mesmos.

Com foco no design de algumas estruturas coletivas da comunidade, os grupos aplicaram os princípios da permacultura trazidos por Bill Mollison, David Holmgren, Marsha Hanzi e Rosemary Moss. Um ponto bastante trabalhado foi o aproveitamento do recurso “água da chuva” tendo como opções as valas de infiltração na terra alimentando nossa maior caixa de água que está no subsolo, ou ainda em tanques, em cisternas, ou lagos, planejados em lugares chave da paisagem.

A chuva veio mansa trazendo conforto para as plantas, para a terra... Assim foi o dia de aprender sobre minhocas e compostagem, fungos e bactérias... E, quando estiou, o grupo se lançou no barro para produzir adobes a serem usados na construção das novas moradas da comunidade. A animação esteve em alta ao som ritmado dos instrumentos e vozes do grupo de moradores e demoradores da comunidade que trouxeram a música para alegrar este e vários outros momentos.

O curso foi mais uma oportunidade para a tomada de consciência do potencial que existe nas formas de interação e nas conexões estabelecidas entre os diversos pontos de um sistema, seja ele o corpo humano, um grupo de pessoas, uma casa, um sítio, uma cidade. Assim, em cooperação e com a participação de pessoas especiais a vivência foi construída, alcançando seus objetivos de transformar realidades como traz Aline Paiva em seu relato abaixo.

“A Permacultura é para mim um conceito muito recente. Comecei a ouvir falar a respeito deste termo há cerca de um ano. Na ocasião, um impulso me levou a conhecer de perto um projeto baseado em permacultura, no sertão norte da Bahia, idealizado por Marsha Hanzi, também fundadora do IPB – Instituto de Permacultura da Bahia. Desde então, entrei em um grande ciclo de mudança. Há cerca de seis meses, decidi sair da cidade em busca de uma vida mais simples, mais autônoma e integrada à natureza. Nesse movimento, comecei a perceber, no fluxo dos acontecimentos, a forma como as coisas se organizam e se apresentam, espontaneamente, para nós. Foi assim com o PDC Campina, algo me chamava para essa experiência, os sinais se mostraram e se confirmaram no caminho.

No vale encantado, também conhecido como Vale do Capão, na Chapada Diamantina, onde está localizada a comunidade Campina, vivemos cerca de 10 dias de experiências intensas: acolhimento, integração, compartilhamento, (re)conhecimento, (re)encontros, aprendizagem, descoberta, cura, espiritualidade. Estudamos e praticamos a permacultura em sua abordagem mais ampla: ética, planejamento de sistemas sustentáveis, saúde e espiritualidade, cultura e educação, ferramentas e tecnologias limpas, bioconstruções, economia solidária, empoderamento e governança solidária, conservação da terra e da natureza.

Durante todo o curso quebramos uma série de paradigmas e condicionamentos. Vimos a importância de entender padrões, setores, observação, registro, movimento e proporções que estão disponíveis na natureza. Fizemos análise de elementos e leitura de paisagem. Descobrimos que toda e qualquer forma de vida surge a partir de condições ideais, como o caso dos microrganismos, fungos e bactérias tão necessários ao solo. Daí a importância de nutrir o solo, não somente para produzir aquilo que iremos consumir, mas dar de comer à terra. Compreendemos a importância de trabalhar em colaboração com a natureza, tirando o máximo proveito dos elementos que estão disponíveis, de forma consciente e integrada.

Planejamos, semeamos, conversamos com plantas medicinais, amassamos e construímos com barro, fizemos tinta de argila, compartilhamos sonhos, trocamos ideias e coisas na feirinha de trocas, cantamos e dançamos na fogueira, fizemos círculos sagrados de homens e mulheres, nos deliciamos com a comida vegana, nos banhamos no rio, nos colocamos em silêncio pra estarmos mais próximos da nossa natureza interna. Vivenciamos a importância de sentir-se pertencente, de estar integrado ao todo, à mãe terra. Ao final do PDC, me deparei com uma frase do filosofo Heri Bergson, que pode, perfeitamente, sintetizar toda a experiência vivida na comunidade Campina: “a totalidade tem a mesma natureza do indivíduo, em um movimento incessante, com um impulso de liberdade criadora que transforma de forma irrefreável a matéria.”

Sinto que algo se modificou profundamente em mim. Ouvi relatos de outras pessoas, que também participaram dessa aventura, no PDC da comunidade Campina, que me emocionaram e me inspiraram imensamente. Carrego comigo a semente de que é possível alcançar um mundo melhor para se viver. Um mundo onde todos estejam em comunhão com a natureza e o grande mistério da vida. Tenho imensa gratidão, respeito e admiração pelos organizadores do PDC, pela comunidade Campina, pelos meus colegas participantes, e por todos os seres que estiveram presente de forma visível e invisível. Concluo aqui meu pequeno relato, com uma frase transformadora de Marsha Hanzi, 'você fortalece tudo que focaliza'."

Aline Paiva
Vale do Capão, 6 de novembro, 2016.

05/12/2016

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